segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Tiroteio, meia maratona e passeata...

Final de semana agitado na Cidade Maravilhosa. Começamos com um tiroteio básico seguido de invasão em um hotel em São Conrado. Situação totalmente absurda, revoltante. Mas o mais surreal dessa história é que parece que somente agora as pessoas (digo, moradores de São Conrado e artistas) se deram conta da violência e da audácia dos traficantes no Rio de Janeiro. Mensagens revoltadas no twitter de vários artistas exigindo providências deixaram-me um tanto, digamos, enjoada. É sempre a mesma ladainha. Há um tempo atrás, quando Luciano Huck foi assaltado, houve uma comoção. Algum artista tem um carro roubado ou coisa que o valha e lá vamos nós, é aquele chororô. Não estou minimizando a situação. Muito pelo contrário. A situação no Rio de Janeiro é vergonhosa, absurda e é necessário uma ação já. Mas, pera lá, e as atrocidades que acontecem todos os dias na zona norte, baixada e outros pontos da cidade? Ninguém vê? Ou ninguém se importa? Neste caso em São Conrado, pelo menos não houve vítimas. Eu quero justiça, quero segurança de norte a sul, de leste a oeste. Eu quero uma vida diga para mim, mas também quero uma vida diga para a minha empregada, para o meu próximo.
No dia seguinte, a meia maratona, emoldurada pela linda paisagem, tomou o lugar do tiroteio. Agora, pessoas corriam por um ideal, por uma paixão, por um esporte. Marido e mulher do Quênia ganharam a competição. Curioso.
No domindo, chegou a vez dos comediantes protestarem. Uma atitude louvável, afinal, repreensão política no Brasil em pleno 2010, ninguém merece! Ou estamos em um universo paralelo da Venezuela? Resta saber se eles levarão o caso à sério ou tudo terminará em uma grande piada. Sinceramente, espero que não.  Espero que eles lutem pela liberdade de expressão a que todos temos direito e sejam vitoriosos.

Bom, depois disso tudo, só me resta refletir. Esses acontecimentos mostraram que em um período tão delicado como esse em que vivemos é preciso duas coisas: perseverança e união. Precisamos lutar por uma cidade mais digna, um país melhor. Precisamos nos unir para conseguirmos vencer. O casal queniano provou isso. Os comediantes também. Só gritamos quando pisam em nossos pés? Não nos compadecemos ao ver outros serem pisados? Será que já estamos habituados com a violência na "Baixanda Santista" (como se referem alguns políticos)? A violência está no Rio e ela pode chegar até você, não importa se você é rico ou pobre, preto ou branco. Não podemos fechar os olhos para o que parece estar distante, pois assim como em um retrovisor, as coisas apenas parecem estar mais distante do que realmente estão.

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